Rodrigo Goulart, Claudia Perez e Alexandre Zamberlam
O objeto desta pesquisa são os jogos educacionais, os quais destacam-se pela popularidade e inserção na comunidade infanto-juvenil, e que até o presente momento não agregam a tutoria artificial como um diferencial comercial ou pedagógico. A finalidade deste projeto é desenvolver um estudo sobre aplicação de uma técnica de IA, intitulada BDI (Believe, Desire and Intention ou Crenças, Desejos e Intenções), em um jogo educacional e avaliar o processo de desenvolvimento e aplicação do mesmo com alunos do ensino fundamental.
O tema do jogo, porposto pela professora Lúcia Giraffa em [Giraffa 1999] (Figura 1) da PUCRS, é de ecologia e baseia-se na interação entre um personagem, comandado pelo aluno, e a cadeia alimentar de um lago, composta por personagens artificiais inteligentes. O objetivo é manter o equilíbrio da cadeia por meio de "poderes" ou ferramentas que o personagem possui. As dificuldades relacionadas ao jogo e/ou ao conteúdo são avaliadas por um Tutor Artificial que envia mensagens com dicas e explicações ao aluno.
O projeto MCOE foi complementado pelo trabalho desenvolvido no E-MCOE [Goulart 2002], que acrescenta um agente mediador entre o Tutor Artificial e o jogo. Este projeto tem incluirá novas técnicas para o desenvolvimento de agentes artificiais BDI com o auxílio do seguinte referencial teórico: Agentspeak [Bordini and Vieira 2003], Linguagem de programação orientada a agentes BDI que formaliza a técnica BDI; Jason [Hübner et al. 2004], ambiente de software para o desenvolvimento de aplicações com Agentspeak. A metodologia utilizada é a da investigação teórica e prática das áreas diretamente relacionadas ao projeto, implementação de um software educacional para então avaliar os resultados obtidos com a pesquisa.
Descrever, representar e apresentar exemplos sobre álgebra num software de computador é uma tarefa razoavelmente simples se comparada com o estudo de línguas ou história. Investigar este processo torna relevante a pesquisa sobre sistemas tutores, pois a ampliação das áreas de aplicação de mecanismos artificiais no ensino, seja ele fundamental ou superior, pode fornecer novas ferramentas para o professor . Treinamento empresarial e educação à distância são necessidades cada vez mais presentes no contexto social brasileiro.
Outros projetos realizam atividades relacionadas com o objeto desta pesquisa, como por exemplo [Andrade et al. 2000], [Jaques et al. 2002] e [Freedman 2000] mas a proposta deste projeto não possui similares, ao menos no Brasil. A presente linha de pesquisa em IA do grupo GPTI da FEEVALE, em consonância com o projeto de educação à distância desta instituição (e, consequentemente com a linha de TI aplicada a Educação), revela a prioridade em desenvolver projetos inovadores para o desenvolvimento da mesma como um pólo de inovação tecnológica.
Os avanços que podem ser obtidos com essa pesquisa são o desenvolvimento de softwares inteligentes capazes de assistir ao usuário (ou aluno) no seu desenvolvimento pessoal, seja ele à distância ou não, como a contribuição no desenvolvimento de aplicações inteligentes capazes de interagir de forma mais realista com seres humanos, uma vez que o processo de aprendizagem se dá em vários momentos do cotidiano.
Aplicações práticas desse trabalho poderão ser realizadas nas áreas de desenvolvimento de software, educação à distância e robótica, onde as implicações de sua utilização são amplas, além de fornecer uma ampla área de pesquisa para cursos de pós-graduação.
Para o desenvolvimento deste projeto de pesquisa destaca-se a necessidade de utilizar pelo menos um computador para cada integrante da equipe, e os softwares necessários para a implementação do protótipo e a comunicação entre os membros (via Internet). Como plano de execução propõe-se as etapas descritas na Figura 4.
A implementação e avaliação do protótipo contará com a participação de 2 bolsistas de iniciação científica, cujas funções são as de desenvolver o protótipo do jogo, com base no trabalho desenvolvido em [Goulart 2002], e do tutor por meio do paradigma BDI através da linguagem Agent Speak e o seu interpretador, intitulado Jason [Hübner et al. 2004]. Já o projeto de avaliação junto à Escola de Aplicação da FEEVALE, a revisão teórica e o gerenciamento das etapas do projeto serão realizadas por um aluno de estágio curricular do curso de Licenciatura em Computação, sob orientação dos professores da Feevale envolvidos com o projeto. De forma específica, o projeto de avaliação busca a integração de professores e alunos do curso de Licenciatura em Computação e da Escola de Aplicação da FEEVALE. A Profa. Dra. Lucia Giraffa orientou o trabalho de mestrado do coordenador do projeto [Goulart 2002] e é uma das grandes pesquisadoras da área de Informática na Educação e Sistemas Tutores Inteligentes no Brasil. Sua contribuição dará qualidade ao projeto e continuidade ao trabalho desenvolvido por ela nos últimos 15 anos.
Pesquisadores da FEEVALE:
Colaboradores de outras instituições: